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No mês dos Pais, a SMCC presta uma homenagem a todos os pais médicos, através de dois médicos associados que mostram aqui todo o orgulho de serem pais:

 

O Dr. Roberto Gimenes, gastroenterologista, que aparece nas fotos em um gostoso abraço nos dois filhos - Anna Carolina e Raphael.

 

 

 

 


 

Já o Dr. Francisco Carmona enviou para a SMCC um texto escrito por seu filho jornalista, Daniel, cujo conteúdo foi sua primeira capa de jornal, publicada exatamente no Dia dos Pais, comemorado no dia 8 de agosto. Abaixo, ele compartilha toda a emoção e alegria de ser médico e pai:

“Meu filho Daniel, 23 anos, recém formado em jornalismo, trabalhava até recentemente no site Virtua.com, em São Paulo e atualmente está no Jornal Meia Hora SP. Não pôde vir para Campinas no Dia dos Pais, pois estava de plantão e tinha muito serviço para preparar o "jornal do dia seguinte". O plantão lhe rendeu sua primeira capa, onde ele fez uma reportagem que descreveu a tristeza de um pai por ocasião da demolição de parte de uma favela em Sampa (Jaçanã). Daniel mostrou sensibilidade, humanismo, ética e valores cristãos e trouxe um olhar diferente daquele que se vê em geral nas reportagens da imprensa. Não poderia ter tido melhor presente do Dia dos Pais!”

Confira o texto escrito por Daniel Carmona:

 

A MALOCA FOI PRO CHÃO

 

Sem saber como recomeçar, morador de ocupação vive drama de não ter onde morar (08/08/2010)

Roque Antônio dos Santos tem 35 anos e morre de vergonha de chorar na

frente de seu filho. O menino quer saber onde a família vai morar

agora que o barraco deles foi derrubado pela prefeitura. Roque varre o

amontoado de entulho com os olhos como se buscasse uma resposta. É

véspera do Dia dos Pais e a resposta que Roque procura não é fácil.

"Eu só queria um lugar pra cair vivo. Porque, pra cair morto, pode ser

em qualquer lugar", diz ele. Seu filho se afasta um pouco e, daí sim,

ele deixa escapar algumas lágrimas.

Roque, que era músico em Salvador, na Bahia, sempre ouviu os versos

de Saudosa Maloca, composta por Adoniran Barbosa em 1951. O que ele

nunca imaginou é que, um dia, estes mesmos versos resumiriam a

história de sua vida.

Mais, um dia/Nem quero me lembrar/Veio os homens cas ferramentas/ O

dono mandô derrubá/ Peguemo tudo a nossas coisas/ E fumos pro meio da

rua/ Apreciar a demolição.

Na sexta, dia em que o sambista completaria cem anos, a favela de Vila

Nilo, no Jaçanã, veio abaixo. Enquanto os tratores derrubavam os

barracos, Roque, que morou lá por dez anos, assistia tudo sentado no

mesmo sofá que ocupava sua sala quase inteira.

Não era o melhor lugar do mundo para se morar. Roque sabia. Mas aquele

era o único lugar que ele tinha.  "Não é legal morar em um lugar

infestado de ratos. Mas eu perdi a moradia. Perdi o local onde podia

pelo menos tentar descansar e saber que meu filho não estava dormindo

na rua", diz ele.

Não é apenas ingrato: é impossível botar em palavras o drama do pai de

família. Ele está desempregado faz um ano. Chegou até a arrumar um

trampo como segurança, mas não vingou porque ele não tinha endereço

fixo. "Poxa vida, moro na favela. Aqui não tem rua, não tem número.

Então, quer dizer que favelado não é cidadão?", lamenta.

Foram demolidos 380 barracos que ocupavam um terreno da Companhia de

Transmissão de Energia de São Paulo (Cetesp). Para cada barraco que

caiu, foi dado um cheque de R$ 1,2 mil assinado pela prefeitura.

Todas as famílias deixaram pacificamente a área. Não foi ouvido nenhum

tiro ou explosão de bomba. Apenas o choro e o barulho das máquinas. Só

restaram entulho, sonhos e histórias.

Morar na rua, Roque não precisa. A irmã dele abriu as portas de sua

casa e abrigou sua família. “Ela foi gentil, mas, mesmo assim, está

apertado. Ela morava com o marido e filhos em dois cômodos. Antes eram

quatro pessoas, agora são sete", explica.

A situação só não está pior porque a mulher de Roque tem um emprego e

consegue alimentar a família com um salário mínimo por mês. Uma renda

que pode ficar ainda mais insuficiente caso Roque precise comprar

remédios. Na semana passada, quando começou a retirar os móveis de sua

casa, ele sofreu uma parada cardíaca e foi levado às pressas para o

hospital. Agora, enquanto espera os resultados dos exames que vão

dizer a quantas anda seu coração, Roque reza pra que Deus, de fato, dê

o frio conforme o cobertor.

 

PARABÉNS A TODOS OS PAIS!!