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Em protesto contra os baixos honorários pagos por consulta pelos planos e seguros de saúde, médicos distribuíram, nesta quinta (1/09), pedaços de pizzas durante o 16º Congresso Paulista de Ginecologia e Obstetrícia. |
Para os organizadores do movimento, essa é uma forma de mostrar que o valor médio pago por consulta, em torno de R$ 30, é insuficente para comprar uma pizza.
Nessa data, ginecologistas e obstetras deram inicio à suspensão do atendimento, por 72 horas, em sistema de rodízio por especialidade, a pacientes de planos e seguros de saúde que não negociaram reajustes de honorários desde que a mobilização profissional teve início, em 7 de abril deste ano. Os médicos reivindicam repasse de R$ 80 por consulta, menos intervenção na relação com o paciente e a inclusão da Classificação Brasileira Hierarquizada dos Procedimentos Médicos (CBHPM) nas negociações.
Ginecologia e Obstetrícia foram as primeiras especialidades a deixar de atender consultas e procedimentos eletivos por 72 horas, de 1 a 3 de setembro. No mesmo período, os especialistas se reúnem no Congresso Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, no Transamérica Expo Center, na Capital. Durante esses três dias estão previstos atos de protesto, como a distribuição de pizzas e avaliações sobre a paralisação. Na sexta-feira, (2/9), um painel de defesa profissional discutiu temas relacionados ao movimento dos médicos por melhores honorários, que teve a participação de representantes das entidades médicas e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Segundo nota do site da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), organizadora do congresso e da mobilização dos especialistas, a paralisação “conseguiu adesão dos médicos ao protesto superior a 90% em todo o Estado”.
O movimento dos médicos é nacional e o cronograma de paralisação é definido por Estado.Os profissionais credenciados reivindicam melhores honorários e o fim das interferências abusivas que comprometem a assistência aos usuários do sistema suplementar de saúde.
No Estado de São Paulo, o rodízio sequencial de paralisação tem o seguinte cronograma:
1 a 3 de setembro – Ginecologia e Obstetrícia
8 a 10 de setembro – Otorrinolaringologia
16 a 19 de setembro – Cardiologia
14 a 16 de setembro – Pediatria
19 e 20 de setembro – Ortopedia e Traumatologia
21 a 23 de setembro – Pneumologia e Tisiologia
28 a 30 de setembro – Cirurgia Plástica
A Anestesiologia adere ao movimento, acompanhando essas especialidades nas cirurgias eletivas. A paralisação não afeta serviços de urgência e emergência. O rodízio atinge planos e seguros de saúde que até o momento não aceitaram negociar ou apresentaram propostas insuficientes.
O presidente do Cremesp, Renato Azevedo Júnior, criticou publicamente, em diversas ocasiões, a Agência Nacional de Saúde (ANS) por não cumprir o seu papel regulador do setor e não procurar intermediar as negociações entre médicos e empresas de saúde suplementar. Muitas lideranças médicas também criticaram a omissão da ANS. “Nesse sentido, houve um avanço, pois a ANS e a Secretaria de Direito Econômico (SDE) divulgaram um comunicado conjunto, em 15 de agosto, reconhecendo que a Classificação Brasileira de Hierarquização de Procedimentos Médicos (CBHPM) pode ser usada como referência para as negociações de remuneração dos médicos que atuam no setor suplementar”, avaliou Azevedo. “Mas tanto os médicos como a sociedade ainda esperam uma atuação mais efetiva e justa da ANS”, concluiu Azevedo.
Fonte: Cremesp |