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Tireoide e Gestação
O Departamento de Endocrinologia e Metabologia da SMCC realiza no dia 10 de fevereiro, às 11h, o Fórum Internacional Tireoide e Gestação, no Campus II da PUC-Campinas – Anfiteatro da Biblioteca.
O evento terá coordenação do Prof. Dr. João Romaldini (PUCC) e palestra com o Dr. David Cooper, do Johns Hopkins Hospital (Baltimore – EUA). Informações na Secretaria da SMCC, com Zilda, pelo fone: (19) 3231-2811 ou pelo e-mail: zilda@smcc.com.br
Este fórum é voltado para médicos endocrinologistas, obstetras e ginecologistas, cirurgiões de cabeça e pescoço, tórax, clínica médica, residentes destas áreas e alunos de medicina.
Segundo estimativas, cerca de 20% das gestantes irão apresentar problemas na tireoide antes, durante ou após a gestação. A falta de tratamento adequado pode provocar má formação fetal, parto prematuro e aborto.
Entenda o problema
Nos dias atuais, é cada vez mais comum a mulher adiar – por motivos pessoais e profissionais - a decisão de engravidar. Os avanços da ciência também permitem que a mulher moderna possa dedicar-se a outras prioridades antes de assumir a maternidade. A natureza, porém, impõem algumas estatísticas que precisam chegar ao conhecimento dessas mulheres.
A concepção, manutenção e o crescimento do feto no útero é ligeiramente inferior nas mulheres acima dos 30 anos. Uma das razões para isso seria a possibilidade de disfunção da tireoide, levando a menor produção do hormônio tireoideo chamado de L-Tiroxina. O hipotireoidismo decorrente disso é um fator de baixa fertilidade feminina.
Quando a mulher engravida, a placenta passa a produzir enormes (e necessárias) quantidades de hormônio feminino, o estradiol. Este vai aumentar no fígado a produção de proteína que é a transportadora de tiroxina (hormônio da tireoide, ou seja, T4). Normalmente o valor de T4 é de 5 a 10mcg%, mas pode ir a 12 ou 14mcg%, o que não significa excesso de função da tireoide, mas apenas um transporte mais eficiente do T4. A tireoide normalmente capta o iodo nutricional que vem de nossa alimentação. Por isso, na gravidez e no aleitamento a mulher precisa de mais iodo - um mínimo de 250 mcg.
O hipotireoidismo na gravidez
Muitas mulheres já têm o diagnóstico de falta de função da tireoide antes de engravidar e passam a tomar o comprimido de L-Tiroxina. Outras grávidas descobrem que estão com hipotireoidismo (função tireoidea diminuída) em exames de rotina no primeiro trimestre da gravidez. Neste caso, é preciso confirmar o diagnóstico e prescrever o comprimido de L-Tiroxina para manter o nível sanguíneo deste hormônio em níveis adequados. Isto porque a mãe fornece parte do seu hormônio de tireoide ao feto, durante toda a gravidez.
É muito importante que o nível de hormônio tireoideo da grávida esteja em níveis adequados porque a criança, no útero, precisa deste hormônio para o desenvolvimento do seu sistema neurológico, principalmente para a maturação do sistema auditivo, a formação do cérebro e respectivas conexões nervosas.
Quando a grávida permanece com falta de tireoide (hipotireoidismo) a criança pode nascer com certas alterações do complexo cerebral fetal resultando em diminuição do Quociente de Inteligência na idade escolar e idade adulta.
O excesso de função da tireoide na gravidez
Não é raro o fato da mulher em tratamento do hipertireoidismo (excesso de produção de hormônios da tireoide) engravidar. Quando isto ocorre o médico deve procurar ajustar o medicamento bloqueador de excesso de tireoide para não induzir uma possível falta do T4 no organismo materno.
A descoberta de nódulo da tireoide durante a gravidez pode ocorrer, mas não deve ser preocupante, pois o caso poderá esperar por diagnóstico e eventual biópsia após o nascimento da criança.
Conclui-se que função da tireoide é muito importante para a fertilidade da mulher, para o início do período de gestação e para o perfeito entendimento entre a mãe e a criança no que se refere à transferência de hormônio da tireoide para o feto.
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